Um áudio atribuído ao juiz Tonny Carvalho Araújo Luz, da Vara de Violência Doméstica de Balsas, no Maranhão, reforçou as acusações de assédio sexual feitas por uma assessora jurídica que o procurou após sofrer ameaças e perseguições do ex-marido.

Na gravação, o magistrado faz comentários de cunho sexual para Daniela da Silva Moura, de 40 anos, que buscava orientações sobre um pedido de medida protetiva. Em um dos trechos, o juiz sugere que a prática de sexo oral poderia facilitar a situação.

“Se tu for advogada que chega na sala do juiz e fecha a porta e paga aquele boquete, tu vai ganhar as causas tudinho”, diz.

Em outro trecho, Tonny se refere a si mesmo como “papai” e afirma que poderia “dar um susto” no ex-marido da mulher caso ela seguisse suas orientações.

“Tem vida mais barata, mas não presta não rapaz, chega no papai, cola que é sucesso. Tô ligado, tu pode pedir protetiva contra ele [ex-marido] que ai a gente dá um susto nele”.

Denúncia

Segundo Daniela, o contato com Tonny Carvalho começou depois que ela passou a sofrer ameaças de morte e perseguições do ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento. Mesmo com medida protetiva em vigor, a mulher afirma que o homem continuava descumprindo as determinações judiciais.

De acordo com a denúncia, após um primeiro atendimento presencial, o magistrado pediu o número de telefone da vítima. A partir daí, as conversas passaram a ocorrer pelo WhatsApp, onde teriam começado as investidas de cunho sexual.

A assessora jurídica afirma que o juiz insinuava que poderia ajudá-la judicialmente em troca de favores íntimos. Segundo ela, o magistrado também fazia comentários sobre sua aparência e debochava do sonho dela de seguir carreira na advocacia.

Ainda conforme Daniela, os episódios causaram forte abalo emocional. Ela relata ter desenvolvido depressão, crises alérgicas, queda de cabelo e pensamentos suicidas após o ocorrido.

A denúncia foi encaminhada à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). De acordo com o tribunal, não há provas suficientes para comprovar assédio sexual, mas o juiz  recebeu pena de censura administrativa por trocar mensagens com a vítima e antecipar posicionamentos sobre processos sob sua responsabilidade.

A defesa do juiz nega as acusações e classifica as denúncias como “absurdas”. Tonny Carvalho também afirma que os áudios e mensagens podem ter sido adulterados com uso de inteligência artificial.

Alvo de outras investigações

Além da denúncia envolvendo a assessora jurídica, o juiz Tonny Carvalho Araújo Luz é investigado em outros casos, incluindo suspeitas de uso de inteligência artificial para elaboração de sentenças e possível envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais apurado pela Polícia Federal.

Segundo o Tribunal de Justiça do Maranhão, ele está afastado das funções por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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